Raul Brando (1867-1930), Os Pescadores.

N?o ? contranbandista quem quer : ? preciso intelig?ncia e ast?cia, arrojo, o alerta dum chefe selvagem e a imagina??o de um poeta. Conhe?o um contrabandista famoso, o senhor Mendinho, que ainda hoje faz na sua goleta a carreira de Gibraltar. Tem setenta e dois anos, um grande engenho, e promete levar a Alc?cer Quibir todos os poetas portugueses.[…]

O barco do Mendinho est? na barra!… – Era a goleta efectivamente – mas em que estado! Os mastros partidos, uma amurada deitada abaixo e as velas em farrapos.? Desceu tudo ? praia. Meteram-se em barcos e trouxeram-no para a terra abra?ado, festejado, aclamado. Quem em semelhante ocasi?o, depois de tantos perigos corridos, se lembraria de visitar a goleta? At? a guarda fiscal chorava. – O Mendinho! o Mendinho!… Que milagre! – Ora o mestre Mendinho imaginara aquele espectaculoso cen?rio refugiado num abrigo de Marrocos: mandara quebrar os mastros, deitar as amuradas abaixo, rasgar as velas – e trazia o por?o atulhado de rico contrabando que descarregou nas barbas do fisco compungido.

De leitura obrigat?ria para compreender melhor Olh?o, as suas gentes e os seus costumes.
O livro foi me oferecido em Junho, e descubri assim estas hist?rias fabulosas de Olh?o.
O prosador Raul Brand?o passou por Olh?o em Agosto de 1922.